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Novo livro de poesia “Intensidade”

de

Pedro Barão de Campos

Sinopse:

Intensidade é uma viagem que levará o leitor por lugares de pensamento e reflexão onde se abordam os intemporais dilemas humanos.

[Sou feito de pensamentos que vêm e vão como as ondas nos rochedos! O incrível

Intensidade

Capa do livro de poesia "Intensidade"

é que os pensamentos pensam por eles próprios dentro de mim, como se fossem figuras duplas de um universo mais amplo (…) e eu apenas mais um dos pensamentos, e dentro de mim, mil pessoas dançando em volta da fogueira da alma (…)]

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Portugal

Bubok – http://www.bubok.pt (Brevemente estará disponível noutros locais.)

No Brasil:

Bookess – http://www.bookess.com

Vislumbre

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Disseste-me, há décadas atrás
Que a folha vazia sob a mesa
Era o teu pesadelo
E eu ri-me… pensando-te louco…

Dizias, nesse tempo
Que a liberdade que procuravas, fervorosamente livre, excelsa e simples
Era talvez, a epifania suprema…
Com que sonhavas poderes ser mais do que tu mesmo…
Alcançando o protótipo quimérico de um amor reinventado
Ou de algo que, naquele momento, não entendi muito bem….

Lembro-me de te ouvir falar sobre o silêncio
E sobre a dor indefinível que te inundava o sangue
E sobre o assobio agudo ao ouvido pronunciando-te palavras indizíveis de desilusão…
Por descobrires mais tarde
Que o castelo que construías
Tinha fundações frágeis feitas de ilusão e utopia…

Ouvi-te, atento, falares com nostalgia
Dos sonhos que tinhas por cumprir
De todos os livros que tinhas para escrever
E das palavras, todas elas, cheias e repletas, essas palavras que te nasciam nos dedos
Como água nas fontes…
E que te deixavam num estado de euforia breve…
Nesse espasmo de notícia
Que afinal nunca aconteceu…!

E dos mundos que construíste dentro da imaginação
Mundos inteiros, complexos de devaneios
Esboços solenes dos paradigmas da tua incompreensão

E eu, ignorante, julguei-te taciturno e rabugento,
Enquanto falavas da tristeza que sentias
Ao veres as folhas dos plátanos ao vento…

Hoje, aqui, está todo um universo de ideias à minha espera
E eu, vazio, sustendo a respiração… fico calado e inquieto…
No limiar da loucura que ontem te pertenceu….

E em frente à folha em branco
Conto as horas a passar
E fito como um cobarde
De longe, a solidão que me agita…!

Como um espasmo ansioso e incompreensível
Abraço a noite no negativo de uma fotografia
O tempo, sempre o tempo…
Devorando sonhos, projectos e encurtando a fé
Que ainda sobra no encalço da vida

E há sempre um amanhã…
Há sempre a esperança… de um amanhã…
E há o desejo dos abraços quentes, a fome dos doces de fantasia,
A sede de um sorriso confidente no final de um dia
E a sublimação de algo que não sei…

Mas não… já não há a utopia
Nem há a cor indelével da tua boca na minha
Nem o salto no abismo
Nem o medo do salto
Nem a ignorância de não entender aquilo de que te falo…

Porque, há décadas atrás
Era eu que te contava
Sobre o sobressalto que me atirava
Para o nulo de ser nada…

Ontem, louco, eu disse-te
Que a folha vazia sob a mesa
Era o meu pesadelo
Mas tu já sabias… do vislumbre…
Tu eras eu.

Pedro Barão de Campos.

Sombra Oculta

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Sombra Oculta

Sombra Oculta

Olhos atentos que olham para mim
Sou o centro do vazio que brota aqui
Já não durmo com sombras nem cores multifacetadas
Sou mero simbolismo de um relento circunscrito a um limiar de ontens
Dissipando a fúria em segundos de loucura
E deixando de ser, pouco a pouco, o sonho…

Apago… o espírito e a fé em algo mais…
E desfaço-me num núcleo de nadas…!

Amanhã, serei o regresso
A algo que já não saberei descrever
Quando no ponto mais alto da montanha
Sentir vontade de voltar a ter a confiança
De ti em mim…
De voltar a ser pessoa… igual a todas as outras pessoas…
E a sentir…
Que não estou sozinho…

Mas, na avenida, longe, depois de espreitares à janela
Lá fico eu novamente…  imóvel… de olhos fechados… invisível…

Então, perceberás… que já morri…
Sou apenas uma sombra oculta
Ignorando o seu destino.

 

Pedro Barão de Campos.